Mário Moura

A Nova Imagem (2)

In Crítica, design on Dezembro 18, 2008 at 3:23 am

estrelas-1

Afinal, a nova imagem de Serralves foi desenvolvida pela McCann Erickson, uma agência publicitária e, para já, tem todos os tiques disso: oficialmente, deixa de haver Fundação, Museu, Parque, Casa, mas apenas a palavra “Serralves” – um estratagema de branding já muito batido, como quando a Tate deixou de ser “The Tate” (De resto, não foi uma grande mudança: já toda a gente chamava “Serralves” a Serralves). No fundo, oficializa a ideia de que Serralves se quer impôr como uma marca internacional, que já não está circunscrita à Casa com o seu Parque e Museu – é a desmaterialização de Serralves.

Quanto ao logo propriamente dito, parece uma versão (ainda mais) anos oitenta do logo actual. A contracção do A e do L, com o L a azul, não se entende. Se fosse a identidade de uma companhia aérea ou de um terminal de autocarros ainda se conseguia ver ali um assento, mas sendo um museu? Dá para perceber que se tentou fazer uma nova identidade sem perder a velha identidade, que se tentou que fosse arrojada, mas não demasiado, que fosse simples, mas com um “toquezito”, que agradasse a Gregos e a Troianos e o resultado não é carne nem peixe. Antes de ver o resto da identidade é difícil fazer um juízo completo mas, para já, não se pode dizer que sofra por excesso de carisma.

  1. Imagino o palavreado marketeiro que justificou este novo e pobre logotipo… Se a pobreza de espírito matasse…

  2. ui!
    Como é que se pode ser tão avesso à mudança? Até um museu de arte contemporânea.

    a comercial tinha aqui um bolinho. Mas vendo bem as coisas. Se o manual de normas, critérios gráficos, normas para a imagem forem bem definidos até pode ser que Serralves tenha mudado realmente de imagem.

  3. Eu acho que é mesmo só um rebranding.

  4. É a Casa do Sr. Alves, Serralheiro.

  5. Serra
    Alves
    não conheço.

  6. Acho que é bastante fácil falar sobre design, fazer crítica de design.No entanto, gostava de saber quantos dos críticos de design já trabalharam realmente em design, ja discutiram o conceito brilhante que tinham em mente inicialmente com o cliente que tem a sua própria opinião formada, e tiveram de solucionar problemas de forma rápida e pragmática e criativa? Como já devem ter lido em algum lado, o design deve solucionar problemas. Ou então vamos ser todos críticos “iluminados”que escrevem sobre design.

  7. Acho que é bastante fácil falar sobre crítica de design. No entanto, gostava de saber quantos dos designers já trabalharam realmente em crítica de design, ja discutiram o conceito brilhante que tinham em mente inicialmente com o seu público que tem a sua própria opinião formada, e tiveram de solucionar problemas de forma rápida e pragmática e criativa? Como já devem ter visto em algum lado, a crítica de design deve solucionar problemas (tal e qual como os designers). Ou então vamos ser todos designers “iluminados”que nunca escrevem sobre design.

  8. Basta ler a nota de imprensa — “as letras “a” e “l” aparecem agora ‘unidas a cor azul, com o objectivo de reforçar o conceito da instituição como espaço de encontros’, sublinha a agência.” — para perceber que, neste caso, qualquer debate iluminado sobre design terá sempre que acontecer no quarto escuro do marketing.
    Pensar em design como uma disciplina que pretende resolver problemas é tão limitado quanto deprimente: eu prefiro pensar no design de possibilidades, e não de soluções. Será que Serralves tinha mesmo um problema que exigia resolução? Ou melhor, será que queria mesmo mudar qualquer coisa? Ou simplesmente foi na cantiga da agência e dos seus conceitos baratos?

    Nem Serralves nem os Srs. Bezerra e Capítulo conseguiram ver para além dos muros da Fundação – aquele espaço de encontros que acontece quando um éle azul encontra meio á preto – e procurar novas formas de mostrar o que é Serralves como um todo. Isso sim, é um problema – no caso de Serralves ser mais do que o seu novo-velho logotipo exprime. Se não for mais do que isso, então parabéns: encontrou no seu novo design a solução para todos os seus problemas. Podemos todos dormir descansados. Mas… esperem. Alguém perdeu sono por causa disto?

  9. Acho cómico defender a intervenção sobre as letras “a” e “l” com o argumento de unidade ou encontro. Será que não notaram que a palavra “serralves” é una por natureza e o que fizeram foi separa-la sem sombra de lógica?

  10. Trocadilho – por distracção ou propositado? –
    A questão, creio eu, nem está no serralheiro ou na marca de serras do sr. alves, mas sim no factor de honestidade que um logótipo possui. Caso fosse a marca de moto-serras do sr. alves o logótipo estaria perfeito. Quanto a serralves, parece-me que ficou a perder…

  11. É mesmo o dom da palavra que predomina neste blog, não há mesmo mais nada a dizer. Deixo o desafio a todos os intervinientes nestas “tertúlias” que em vez do vosso nome, assinem com um link para o vosso portfólio, para tambem ai todos nós podermos fazer comentários fervorosos.

  12. Acreditar que a capacidade de alguém para opinar sobre design depende apenas do seu portfolio é a mesma coisa que dizer que só podemos reclamar num restaurante se tivermos um diploma de restauração, que só podemos dizer mal de um filme se tivermos realizado uns três ou quatro, ou que só podemos votar se já tivermos sido ministros. De resto, para alguém que só aceita uma opinião quando esta é apoiada por um portfolio, é muito optimista ao achar que outros aceitam a sua, quando só é apoiada por um pseudónimo. Ou isso, ou os meus pêsames pelo Serge. Cantava bem.

  13. Mário: touché mon gars – como diria o próprio Serge.

  14. Correndo o risco de repetir o que já muitos disseram antes de mim, acredito, com todas as fibras do meu ser, que a crítica do/ao design apenas o favorece e o aponta no sentido da evolução e aperfeiçoamento das práticas do mesmo. Acredito também que é a melhor forma de dar cor a um mundo tão frequentemente acinzentado pela falta de capacidade de análise e reflexão. Quanto aos seus intervenientes – escreve-se com “e” – são eles que, ao fomentar a discussão em torno deste mundo, conseguirão fazer dele algo mais do apenas um exercício de estilo.

  15. Não se pode tecer uma opinião crítica sobre nada neste país que logo aparece alguém a mandar calar. Nada do que o Mário disse foi gratuito, inconsiderado ou injusto.

    A mim não me parece bem uma fundação como Serralves recorrer ao trabalho de uma agência de publicidade, da mesma forma como não compram “obras de arte” daqueles que estão à venda no IKEA. Sem ofender a Mcaan, mas este não é o seu traget como agência…

  16. tarde e a más horas me junto a quem desgosta do novo logo. nao porque me arrepie o plaeio de marketing mas porque pura e simplesmente nao me cai no goto a plasticidade da coisa. a questao para mim torna-se, agora em saber o que vai a fundação fazer com esta imagem.

  17. Sem dúvida. Sugere aqueles ensaios de logótipo das construtoras, transportadoras ou serralheiros, nos anos 80. Um insulto ao trabalho de Frere-Jones. Uma desilusão, que de certeza não foi barata. Tenho muita pena, porque existiriam muitas abordagens possíveis, e atrevo-me a dizer que preferia deixar como estava.

  18. […] Regressar ao tema da nova identidade de Serralves é um pouco como bater no ceguinho, mas como o pior cego é o que não quer ver, pode ser que este ceguinho mereça a tareia. Uma das razões para isso é que teve um bom ano. Tem motivos para se gabar e para ser gabado. Teve 400.000 visitas pagas e, por causa disso, teve direito a uma setazita ascendente no Público. Tudo isto seria um pretexto para festejar se entretanto não tivesse decidido mudar discretamente de identidade gráfica. […]

  19. “Tenho a dizer que, sem faltar ao respeito aos respectivos autores do Rebranding da marca Serralves, não acho que o trabalho feito cumpra os objectivos de comunicação que descrevem os autores do rebranding descrevem. Parece-me mesmo “preverso” mudar a marca de uma instituição que tanto a nível nacional como internacional havia já construído o seu lugar e reconhecimento na mente do público.
    E se a mudança fosse para melhor até poderia ser aceitável e compeensível, ainda que arriscado. Mas parece-me que a mudança foi para pior. Primeiro porque a marca não comunica nada. Nem mesmo aquilo que foi neste artigo mencionado. Tanto pode comunicar “instituição como espaço de encontros” como ser apenas um “A” cortado a meio e unido a um “L” enviezado. Ou seja, volto a dizer que não comunica nada. E nesse sentido a marca anterior era bem melhor. Porque não tinha a pretensão de ser uma marca que graficamente representava um conceito qualquer. Essa pretensão havia sido conseguida, não no grafismo mas no excelente trabalho que a equipa de comunicação interna de serralves foi construindo ao longo dos anos, e que se materializou no reconhecimento que o público tinha em relação à instituição Serralves. Essa era a Marca serralves. E nao um “A” cortado com um “L” enviezado.
    Senhores da administração Serralves. Se acham que estavam a perder identidade, com esta nova estratégia não a perderam. Apagaram-na. O que é ainda mais grave. Não se deve mexer no que está bem.”

  20. É curioso como se atribuem este tipo de trabalhos a agências de PUBLICIDADE, quando temos pessoas a trabalhar tipografia, designers com um nível bastante superior em Portugal.
    Posso deixar um bom exemplo, Dino dos Santos(http://www.dstype.com/), entre outros.

    Agora so falta aparecer alguém a dizer que o director x da agencia x é amigo do director da fundaçao x. Acredito que não…

  21. […] uma vez, Serralves. Já tinha dito aqui que mudou a sua identidade gráfica e que não foi para melhor; já se sabia que a nova imagem foi concebida pela McCann Erickson. Entretanto, constou-me que esta […]

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