Mário Moura

Quantum of Solace

In Crítica, design, Filmes on Novembro 9, 2008 at 12:26 am

estrelas-3

Há quem diga que os filmes do 007 são todos iguais, mas há algo de estranhamente conceptual, quase Borgiano, na ideia de filmar o mesmo filme de dois em dois anos, durante quatro décadas seguidas. Cada filme é como uma amostra do clima da sua época, uma espécie de camada geológica onde reconhecemos, aqui e ali, figuras familiares – o anão da Ilha da Fantasia, o Sandokan, o Parkour, a Grace Jones, etc. São filmes que parecem ter sido feitos para ficarem datados. O genérico de Quantum of Solace volta este processo sobre si mesmo, citando um género de design – um estilo Neo2, glam-seventies, vectorial com degradés – que já era um pastiche dos genéricos mais antigos do 007. Outra curiosidade gráfica são as legendas (Update: da autoria dos Tomato)que indicam a localização das cenas, feitas num lettering inserido na imagem de maneira a parecer que fazem parte da cena. É um efeito semelhante ao usado na série Fringe, embora em Quantum of Solace seja mais variado, o desenho das letras adaptando-se ao lugar onde a acção decorre.

  1. Noutro dia fui ver o 22.º filme — “Quamtum of Solace” e durante o genérico fiquei surpreendido por não ver o nome habitual do autor Daniel Kleinman mas sim MK12.

    Não sei qual foi o motivo nem se isto é passageiro (Robert Brownjohn também substituiu consecutivamente Maurice Binder durante o 2.º e 3.º filmes), mas espero que volte rapidamente Daniel Kleinman.
    Não digo isto porque não tenha gostado do genérico nem da nova presença da Tipografia durante o filme mas porque acho que o genérico foge um bocado ao espírito que se esperava.
    Ou seja, num primeiro visionamento agrada-me visualmente, mas acho que não está tão ligado ao filme como os anteriores (de Kleinman). Para além disto, mesmo analisado isoladamente, este é provavelmente o genérico com menos impacto desde 1995…
    A tipografia durante o genérico (refiro-me aos nomes da equipa e não ao título do filme claro) também está diferente, deixando o papel neutro que tinha até aqui (com Maurice Binder, Robert Brownjohn e Daniel Kleinman), e que dava um equilíbrio com toda a quantidade de elementos e efeitos na animação.

    No Casino Royale, Daniel Kleinman deu resposta ao novo tipo de filme que estavam a fazer com Daniel Craig mudando várias coisas no genérico, nomeadamente um estilo mais bidimensional, cores e formas mais simples…, não aparecem mulheres (a única que aparece é a personagem Vesper e não é uma silhueta nua mas sim a cara e muito rapidamente e timidamente).
    Neste filme há uma tentativa de ir pelo mesmo caminho de simplicidade a nível visual, mas depois a parte, por exemplo, em que aparecem imensas silhuetas de mulheres a alta velocidade não tem nada a ver com o filme (este), ainda menos que no filme anterior porque desta vez a história é diferente — a Bond girl nem se chega a envolver fisicamente com James Bond…

    Uma vez que este filme é a continuação do Casino Royale passado pouco tempo (em tempo real, ao estilo por exemplo da série 24) — e não como nos filmes antigos em que cada história é muito separada das outras — seria de esperar que houvesse alguma atenção a isso e se fizesse uma ligação qualquer ao filme anterior (embora tivesse que ser muito diferente claro, até porque este filme tem um ritmo e um tom diferente do anterior). Mas mais do que alguma ligação ao filme anterior, seria obviamente de esperar muito mais ligações à própria história deste filme!
    O genérico quase não tem ligações à história, a única ligação que me lembro é mesmo só o deserto e há outras coisas muito importantes na história, como a vingança da morte de Vesper…etc.
    Os genéricos de Daniel Kleinman eram muito ricos visualmente também por causa das ligações bem feitas à história (personagens, enredo, tipo de ambientes/países …).
    E depois visualmente tal como já disse, falta impacto, tem poucas surpresas, é muito a mesma coisa do princípio ao fim.

    Relativamente às legendas integradas na imagem conforme o ambiente mudando de país/cidade achei piada mais pela surpresa, mas não consigo ainda falar muito sobre isto sem vero filme com calma depois em DVD (mais que uma vez).
    Para já, gostei, embora seja de questionar se não tira alguma seriedade à história.

    Concluindo, temos um genérico pobre pelo facto de não inovar (pelo menos de forma sustentada) , e de não manter ligações importantíssimas à história do filme!

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