Mário Moura

1000 Listas

In Crítica on Outubro 25, 2008 at 1:36 am

Sempre detestei as listas de compras. Não as faço para ir ao super e não gosto delas quando nos são impingidas pelos jornais na época do Natal – os dez livros do ano, os dez discos do ano, os dez políticos do ano – depois uma pessoa sente-se na obrigação de os coleccionar a todos para completar a caderneta.

Nas revistas de música – estou a pensar na Wire – a lista é um tapa-buracos recorrente, um  expediente para escrever um artigo assertivo sem ter de usar verbos,  adjectivos, ou o resto. Todos os meses aparece uma lista dos melhores discos de electro – jazz – new – funk – wave – bossanova de sempre. É irritante e a própria abundância de listas daria para fazer uma lista: as dez melhores listas de sempre, as dez piores listas, etc.

Nestas últimas, estariam sem dúvida aqueles calhamaços dos “1000 filmes para ler antes de morrer”, “1000 livros para ver antes de morrer”, e por aí adiante. Já deve haver um com uma lista das 1000 pessoas que já completaram uma destas listas – imagino uma sequência interminável de reformados, pessoas que vivem até muito tarde em casa dos pais ou artistas que receberam uma bolsa só para isso.

  1. Sempre tive a noção de que essas listas são mais features pelas quais o público anseia do que propriamente tapa-buracos. É que são invariavelmente artigosinhos inconsequentes e fáceis de ler que como cerejinha no topo nos dão aquele reconforto idiota de que afinal o mundo não é assim tão complicado.

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