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Só mais um pormenor em relação à tipografia do novo logo de Serralves: não me espanta que mantenha a Interstate Black. Ao falar com pessoas que trabalham em Serralves, reparei que frequentemente tinham um sentimento de posse muito forte em relação a essa fonte. Para eles, a Interstate é a fonte de Serralves, parte essencial da sua identidade enquanto instituição. Isso levanta, no entanto, dois problemas: em primeiro lugar, a Interstate Black não é, por si só, a fonte de Serralves; toda a gente a pode comprar e usar. Em segundo lugar, aquilo que a tornava na fonte de Serralves não era a fonte, mas a forma como era usada, e foi isso que o novo logo deitou pela janela. Se Serralves queria uma fonte própria, porque não encomendou uma a Tobias Frere-Jones, o criador da Interstate? – já nem digo nada sobre a opção de encomendarem uma fonte a um criador nacional.
De facto, porque não encomendar alguma coisa ao Dino dos Santos ou Mário Feliciano?
Concordo com sugestão do Paulo. Acredito que o Mário faria um bom trabalho com uma display, como a Interstate (recordo o projecto Morgan). Não retiro com isto, qualquer respeito ao trabalho do Dino, que aprecio muito. No entanto, se me permite, o uso do termo “fonte” enquanto sinónimo de “typeface” ou “tipo de letra” incomoda-me um pouco. Tobias Frere-Jones desenhou um typeface, ainda que a sua “fonte” seja digital. (Sou mesmo insistente hein?). Concordo também que, se a identidade de baseia num typeface específico, então que seja um “custom”, e não uma versão comercial que qualquer um pode adquirir e utilizar.
Volto a frisar a minha desilusão pela solução final. Um conceito pode ser muitas vezes válido, mas a sua materialização ficar aquém. Ficou-se apenas pela intenção?
Ainda para mais, a batalha verbal sobre a crítica foi muito bem argumentada, com “nível”. Os meus parabéns Mário. No dia em que um designer deixar de criticar (e isso inclui o seu próprio trabalho em primeiro lugar), então estagnou a sua criatividade e deixou de procurar soluções. Eu sou extremamente exigente com o trabalho, e muitas vezes resulta em frustração de ser apenas um deadline que finaliza o trabalho. Mas isto pode ser também bom, na medida e que se pudéssemos, aperfeiçoaríamos ou recomeçávamos tudo de novo, porque parecia ainda não “estar bem”. Admitindo que o design é empírico e não uma ciência, vamos sempre errar segundo os critérios de alguém.
[...] ao tema da nova identidade de Serralves é um pouco como bater no ceguinho, mas como o pior cego é o que não quer ver, pode ser que este [...]
A fonte do logótipo de Serralves chama-se Interstate Museum Black. Segundo a definição do Sandro, é um custom typeface (variante do Black) desenvolvida por Frere-Jones ainda no século passado.
“um ‘custom’, e não uma versão comercial que qualquer um pode adquirir e utilizar.”
Mas sim, se é para recriar a identidade, nada mais apropriado do que encomendar um novo tipo a quem de direito…
Voto no Dino!
@Sandro:
Como critério editorial, em artigos em que não seja crucial fazer a distinção, costumo optar pelo termo de uso mais comum, neste caso, usei “fonte”.
@xo:
Enquanto estava a escrever a recensão, disseram-me que se podia tratar de uma variante da Interstate, mas não o consegui confirmar definitivamente.