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Entusiasmado com as capas da edição americana de 2666, de Roberto Bolaño, resolvi ver se havia alguma coisa dele em português. Grande erro. A capa d’Os Detectives Selvagens, da Teorema, parece o retrato robot de um anúncio da Marlboro ditado pelo telefone por uma velhinha criada por ovelhas na Serra da Estrela e desenhado a pastel seco por um operário de construção civil míope. A paginação foi, claramente, feita em muito menos tempo do que a capa. Com uma mancha de texto que vai quase até às margens (que ainda por cima estão tortas), com linhas do tamanho do meu braço, leading reduzido e uma má fonte, como é que alguém pode dar vinte e cinco euros por um livro destes?
A versao em castelhano nao é melhor. Acho que só muda mesmo o idioma, porque a descriçao do “detectives selvagens” assenta que nem uma luva. É realmente pobre. Chateia bastante quando se ve bom conteúdo maltratado, quase tanto como quando se vê o inverso.
Aqui esta a tal capa: http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/detectivesselvagens.jpg
a paginação é realmente uma coisa medonha mas não muito diferente daquilo que a teorema nos tem vindo a habituar.
A capa é realmente péssima. Mas existem mais dois livros editados por cá,”Nocturno Chileno” pela Gótica ( que é um livro extraordinário mas que já não se vê em lado nenhum) e “Estrela Distante” que antes de acontecer a muito recente Bolanomania Americana, a editora (do grupo Leya) andava a despachar em suas duas livrarias, uma das quais ao lado do Nicola no Rossio, a outra fica no célebre Freeport, a três euros. Aproveitei a pechincha para oferecer alguns exemplares no último natal.